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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Aluna de Toledo fica entre as melhores jovens cientistas do mundo em feira internacional

📷 Foto: Reprodução

A estudante toledana Beatriz Maria Ferreira dos Santos, do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, conquistou um resultado histórico para a ciência estudantil brasileira ao alcançar o 3º lugar na Categoria Ciências das Plantas durante a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, considerada uma das maiores e mais importantes feiras científicas pré-universitárias do mundo. A competição reúne estudantes de mais de 60 países e é reconhecida internacionalmente como o principal palco da ciência jovem mundial.

Ao lado da orientadora e coordenadora do Clube de Ciências do Colégio, professora Dioneia Schauren, Beatriz representou Toledo, o Paraná e o Brasil em uma competição marcada por projetos desenvolvidos em centros de pesquisa altamente estruturados e com amplo investimento tecnológico. Mesmo diante de inúmeras dificuldades financeiras e da falta de recursos, a estudante toledana conquistou espaço entre os melhores projetos do planeta.

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A trajetória até a conquista, no entanto, foi marcada por obstáculos. Sem laboratórios de ponta ou apoio financeiro suficiente, a equipe precisou recorrer à criatividade, persistência e mobilização coletiva para tornar possível a participação na feira internacional.

Antes da viagem, uma vakinha solidária foi criada para arrecadar recursos destinados às despesas da orientadora Dioneia Schauren, responsável por acompanhar as estudantes durante os eventos científicos internacionais. Apesar da relevância da conquista, a campanha teve baixa arrecadação nos primeiros dias. Em 24 horas, a vakinha recebeu menos de R$ 200,00 em novas doações e, após quase duas semanas, ainda estava distante da meta de R$ 30 mil necessária para custear passagens e alimentação.

Mesmo diante das dificuldades, Dioneia decidiu não desistir. Para garantir a viagem da equipe ao Arizona, nos Estados Unidos, a professora precisou recorrer a um empréstimo bancário pessoal para comprar as passagens dentro do prazo exigido pela organização da feira.

O Clube de Ciências do Jardim Porto Alegre possui 14 anos de tradição em pesquisa científica e já acumula participações de destaque em eventos nacionais e internacionais. O projeto desenvolvido por Beatriz apresentou um método mais barato e sustentável para o cultivo in vitro de orquídeas, com potencial de aplicação direta na produção comercial de mudas.

Em vídeo divulgado após a premiação, a professora Dioneia Schauren comemorou emocionada a conquista e destacou a importância da dedicação dos estudantes e da comunidade escolar. “Nós conquistamos o terceiro lugar na maior feira de ciências do mundo. Muito obrigada galera. Isso é só pra mostrar pra vocês que toda essa loucura para arrecadar dinheiro não é em vão. A gente está na maior feira de ciências do mundo competindo com trabalhos do mundo inteiro e conquistamos o terceiro lugar”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou que o resultado vai além da questão financeira. “O que prova que não é sobre dinheiro, não é sobre recurso, é sobre vontade e capacidade. E a nossa galera tem isso pra caramba”, completou.

Beatriz também agradeceu o apoio recebido durante toda a caminhada até a competição internacional. “Obrigada a todos vocês, obrigada por todas as doações. Com certeza, sem o apoio de vocês a gente não conseguiria estar aqui. Logo logo a gente está voltando e vamos comemorar todos juntos”, declarou a estudante.

A conquista também foi celebrada como resultado de um esforço coletivo. Integrantes do Clube de Ciências, familiares, amigos, apoiadores e membros da comunidade participaram de rifas, vendas de lanches, jantares beneficentes e campanhas online para ajudar a viabilizar a participação das estudantes nas feiras internacionais.

Além de Beatriz, a estudante Fernanda Gracieli Gonçalves Jank também conquistou vaga em importantes competições científicas internacionais. As duas estudantes ainda devem representar Toledo na Global Entrepreneurship and Innovation Science Fair (GENIUS), em Nova York, nos Estados Unidos, no mês de junho.

Para a comunidade escolar, a conquista representa não apenas um prêmio internacional, mas também a prova de que estudantes de escola pública do interior do Paraná podem competir em igualdade de condições com jovens pesquisadores dos maiores centros científicos do mundo.

toledonews

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