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sábado, 4 de julho de 2026

Saúde, inclusão social e gestão de resíduos: projeto integrado vai beneficiar 1,2 milhão de pessoas no Oeste do Paraná

Iniciativa do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Oeste articula 49 municípios, mais de 150 entidades e R$ 2,9 milhões em ações de diagnóstico, capacitação e cidadania

O Oeste do Paraná vive um momento histórico de articulação entre instituições públicas, universidades e organizações da sociedade civil. Depois de dois anos de trabalho coletivo, 49 municípios, mais de 150 entidades e R$ 2,9 milhões em investimento se unem em torno de um projeto que promete transformar a qualidade de vida de mais de 1,2 milhão de pessoas. Batizado de “Saúde Territorial e Inclusão Socioambiental no Oeste do Paraná”, o projeto é fruto de um diagnóstico participativo que identificou as prioridades da região e as transformou em ações concretas nos eixos da saúde, da inclusão social e da gestão de resíduos.

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Tudo começou em 2024, quando a Itaipu Binacional criou os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental no âmbito do programa Itaipu Mais que Energia. No Oeste, o núcleo reuniu um leque diverso de atores: todas as universidades da região — Unioeste, Unila, UTFPR e IFPR em seus diversos campi —, 40 prefeituras com carta de adesão, organizações sociais, Rotary, sindicatos, cooperativas, associações de agricultores e de mulheres, coletivos indígenas, quilombolas e de assentamentos. “Nós temos multiatores que compõem o núcleo de cooperação e que colaboraram para a construção desse projeto coletivo, que nasceu a partir de um diagnóstico, do olhar dessas entidades que atuam no território”, explica Rosselane Giordani, coordenadora do Núcleo Oeste.

Durante o primeiro ano, essas instituições realizaram um diagnóstico territorial aprofundado. “Há um ano atrás, em junho do ano passado, foi quando a Itaipu sinalizou o seu desejo, a sua intenção de transformar todo o diagnóstico, todas as ações que estavam sendo pensadas pelos núcleos, materializar isso num convênio”, relembra Rosselane. “Este Convênio é uma conquista importante para o território, depois de 12 meses praticamente de trabalho, de construção coletiva, que envolveu todas as entidades que integram o núcleo.”

Desse esforço coletivo emergiram três eixos prioritários. Na área da saúde, o projeto prevê a capacitação de conselhos municipais de saúde — órgãos fiscalizadores e deliberativos das políticas públicas — para que atuem de forma mais qualificada e integrada. Serão promovidos fóruns, seminários e oficinas que reúnem gestores públicos, lideranças sociais e comunidades. O primeiro deles, o Fórum de Políticas Públicas e Sustentabilidade, já tem data marcada para 24 de julho em Santa Terezinha de Itaipu, mobilizando gestores de saúde, meio ambiente e assistência social de toda a região.

No eixo da inclusão social, o projeto mira as populações em situação de vulnerabilidade, como indígenas, quilombolas e imigrantes. A região recebeu nos últimos 15 a 20 anos uma comunidade expressiva de haitianos, venezuelanos, senegaleses e sírios, entre outros — mais de 30 mil pessoas que hoje vivem e trabalham no Oeste do Paraná. Muitas enfrentam barreiras linguísticas, o que dificulta o acesso a políticas públicas, além dos desafios de adaptação cultural. Outro dado sensível é a mortalidade de bebês de mães imigrantes, associada à problemas no acompanhamento ao pré-natal. “A gente identificou a questão da mortalidade de bebês de mães imigrantes por causa da questão do pré-natal, do acesso à política pública de saúde, a questão da dificuldade em relação à língua, do acesso à inserção no mercado de trabalho”, detalha Rosselane. Para enfrentar esse cenário, estão previstos mutirões de cidadania que levarão serviços básicos de saúde e emissão de documentos diretamente às comunidades, além de uma pesquisa de campo com cerca de 2 mil imigrantes.

Já no eixo da gestão de resíduos, o projeto realizará um diagnóstico da situação dos municípios e atuará para incidir sobre os planos municipais de gerenciamento de resíduos sólidos. A medida tem impacto duplo: ambiental, ao contribuir para a preservação dos recursos naturais, e social, ao abrir possibilidades de geração de renda para famílias que atuam com reciclagem. “Isso tem um impacto direto também no meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas, como também gerar renda para muitas famílias”, ressalta a coordenadora.

O diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, destacou o significado do convênio como instrumento de cooperação regional. “O convênio é o compromisso com a construção coletiva de soluções para os desafios do território, valorizando o diálogo, a participação social e a integração entre instituições e comunidades. Esperamos que esta parceria contribua para o fortalecimento das políticas públicas e para a promoção de um desenvolvimento cada vez mais sustentável, inclusivo e voltado à melhoria da qualidade de vida da população.”

O projeto é proposto pela Fundecamp — Fundação Universitária do Campus de Marechal Cândido Rondon/Unioeste, ambas integrantes do Núcleo Oeste. O gestor do projeto, Alessandro Schneider, ressaltou o efeito inclusivo da iniciativa: “O projeto favorece a construção de uma sociedade mais inclusiva ao promover o respeito à diversidade cultural e o fortalecimento dos vínculos comunitários entre a população local e os imigrantes. Essa integração social contribui para reduzir situações de exclusão, preconceito e vulnerabilidade, ampliando as oportunidades de participação social e melhoria da qualidade de vida.”

Com duração de 12 meses, o projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e busca promover desenvolvimento regional sustentável integrando saúde, meio ambiente e inclusão social. Até o momento, além do Oeste, outros nove núcleos já assinaram convênios semelhantes, e 12 seguem com projetos em tramitação. O modelo — que parte de diagnósticos feitos pelos próprios atores locais e se materializa em parcerias institucionais — aponta para um caminho promissor de governança participativa, em que as soluções para os desafios do território são construídas de baixo para cima, por quem vive e conhece a realidade de cada região.

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