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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Grupo debate protocolos de atendimento em episódios climáticos severos

Com presenças de diretora-executiva do Simepar e representantes de vários órgãos públicos, primeiro encontro foi realizado nesta quinta-feira (3), na sede da Funtec

Definir protocolos de atendimento que sejam eficientes e, ao mesmo tempo, de fácil entendimento para situações climáticas severas é o objetivo de um grupo de trabalho que começa a ser formado em Toledo. A primeira reunião foi realizada na manhã desta quinta-feira (3), na sede da Fundação para o Desenvolvimento Sustentável, Científico e Tecnológico de Toledo (Funtec), reunindo representantes de órgãos que atuam na prevenção, no monitoramento e no atendimento à população durante eventos extremos.

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O encontro contou com a participação da diretora-executiva do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Vanessa D’Avila, além de representantes da Funtec e das secretarias municipais do Meio Ambiente, da Agricultura e Proteína Animal e de Segurança e Trânsito, esta última por intermédio da Coordenação Municipal da Defesa Civil. Também participaram integrantes do Corpo de Bombeiros e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

Para a diretora-executiva da Funtec, Tatiany Barbiero, o primeiro passo é integrar instituições que já trabalham com eventos extremos e aproximar suas ações das possibilidades oferecidas pelo novo projeto. “A proposta é conectar todas essas instituições e entender o que tem em sinergia do que já está acontecendo no município com aquilo que o projeto vai trazer”, detalha..

Inteligência climática – A reunião ocorreu na véspera do lançamento, em nível local, do Smart Climate City, projeto de inteligência climática desenvolvido pelo Simepar em parceria com a empresa suíça Meteoblue. A apresentação será realizada nesta sexta-feira (4), a partir das 9h, no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico.

Segundo a diretora-executiva do Simepar, a escolha de Toledo para receber o projeto está relacionada à intenção de ampliar a compreensão sobre como cidades do interior, com características diferentes das grandes áreas urbanas, podem se preparar para eventos climáticos extremos. “A construção do projeto será feita em conjunto com os agentes locais, permitindo identificar situações específicas do município que possam ser contempladas pelo sistema”, comenta Vanessa. Entre as possibilidades estão o estudo de corredores de vento e ilhas de calor, além de outras características que poderão ser incorporadas a partir das informações fornecidas pelos órgãos que atuam em Toledo.

Financiado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente, sob gestão do Instituto Água e Terra (IAT), o Smart Climate City utiliza uma rede de estações meteorológicas especializadas, equipada com modelos de previsão hidrometeorológica de altíssima resolução. Associada ao uso de inteligência artificial, a tecnologia permite ampliar a precisão na identificação de áreas que demandam maior atenção em situações relacionadas à temperatura, à chuva e à circulação.

Entre os recursos previstos está um modelo específico para alagamentos. A expectativa é que os primeiros dados produzidos pelo sistema sejam disponibilizados em até seis meses, possibilitando que as informações já existentes no município sejam utilizadas na calibração e no aprimoramento das ferramentas. 

O projeto receberá investimento aproximado de R$ 15 milhões e terá três anos de duração. Conforme Vanessa, um dos objetivos é deixar um legado que vá além da operação da ferramenta, especialmente por meio de produções acadêmicas, cenário que será favorecido com a apuração de um volume muito maior de dados sobre as condições climáticas e seus impactos.

Diagnóstico local – Um dos primeiros trabalhos do grupo será reunir informações que já estão disponíveis nos órgãos municipais e em instituições de ensino e pesquisa. O município possui um levantamento com pontos sujeitos a alagamentos, bem como com estudos hidrológicos, dados de estações e pluviômetros, além de levantamentos relacionados à drenagem e ao comportamento das bacias hidrográficas.

A intenção é cruzar essas informações com os dados produzidos pelo Smart Climate City para construir um diagnóstico mais preciso das áreas de risco e das situações que exigem resposta antecipada. Também deverão ser levantados registros históricos dos últimos anos e dados sobre ocorrências de chuvas intensas, alagamentos e outros episódios extremos. “Essa articulação deve evitar a duplicação de iniciativas e permitir que os resultados produzidos pela ferramenta sejam efetivamente aproveitados pelo município. Não basta só receber a informação, temos que fazer o melhor uso dela”, salienta Tatiany.

A área rural também deverá ser contemplada. Durante o encontro, foi apontada a necessidade de estabelecer protocolos específicos para comunidades e propriedades rurais, considerando as características próprias desses locais e as dificuldades de comunicação e deslocamento em situações de emergência. A proposta é que os procedimentos desenvolvidos em Toledo possam, posteriormente, servir de referência para outros municípios.

Prevenção e resposta – O grupo também deverá trabalhar com situações que vão além dos alagamentos. Entre os temas discutidos estão incêndios ambientais e florestais, circulação dos ventos, qualidade do ar e ocorrências associadas a tempestades severas. No caso dos tornados, por exemplo, o Simepar vem desenvolvendo estudos de climatologia com base em registros históricos e análises de radar para compreender a ocorrência desses fenômenos em nossa região.

Na avaliação do secretário de Administração e do Meio Ambiente, Marcelo Marques, a consolidação dessas informações poderá aumentar a capacidade de antecipação do município diante de ocorrências climáticas. “Com esse mapeamento nós vamos ter previsibilidade e antecipação, principalmente com relação às tragédias climáticas”, projeta. “A participação de Toledo nesse projeto coloca o nosso município na vanguarda, um dos primeiros, ao lado de Curitiba, a testar essa abordagem no Paraná”, pontua.

Próximos passos – Como encaminhamento da primeira reunião, ficou definido que o grupo voltará a se reunir até o fim de setembro com profissionais do Departamento de Hidrologia do Simepar. O próximo encontro será dedicado à discussão sobre procedimentos para períodos de elevada precipitação pluviométrica.

Até lá, cada órgão participante deverá levantar os dados disponíveis dentro de sua área de competência. A intenção é reunir essas informações para construir um diagnóstico abrangente das situações enfrentadas pelo município e, a partir dele, estabelecer protocolos de ação para episódios climáticos severos.

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