Doação de órgãos: estrutura hospitalar e decisão da família são decisivas para salvar vidas
Paraná conta com quatro Organizações de Procura de Órgãos e se destaca pela baixa recusa familiar; especialistas reforçam que comunicar à família o desejo de ser doador continua sendo fundamental

A doação de órgãos envolve uma extensa rede de profissionais, hospitais, equipes especializadas e logística para que, após a confirmação da morte encefálica e a autorização familiar, órgãos e tecidos possam chegar a pacientes que aguardam por um transplante.
No Paraná, o sistema é apoiado por quatro Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), localizadas em Cascavel, Curitiba, Londrina e Maringá. Essas estruturas funcionam como braços operacionais da Central Estadual de Transplantes e auxiliam hospitais na identificação de potenciais doadores e na condução de todo o processo.
Uma das etapas consideradas fundamentais ocorre dentro dos próprios hospitais. A atual Política Nacional de Doação e Transplantes prevê a criação das Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOT) em hospitais que possuem leitos de terapia intensiva, atendem pacientes neurocríticos, são referência em trauma ou realizam transplantes. Essas equipes atuam na identificação de potenciais doadores, organização dos protocolos e acolhimento das famílias.
Dados divulgados anteriormente pela Secretaria de Estado da Saúde apontavam a atuação de 70 comissões hospitalares no processo de doação no Paraná, reunindo mais de 700 profissionais. Com a nova regulamentação nacional, essas estruturas passam pelo processo de adequação ao modelo das e-DOTs.

Diagnóstico de morte encefálica é etapa fundamental
Antes de qualquer possibilidade de doação de órgãos após a morte, é obrigatório o diagnóstico de morte encefálica, realizado de acordo com critérios médicos específicos.
Profissionais que atuam na área alertam que limitações estruturais e operacionais em determinadas instituições podem dificultar a identificação de potenciais doadores e a conclusão dos protocolos, fazendo com que oportunidades de doação sejam perdidas.
Por isso, a ampliação e qualificação das equipes hospitalares são consideradas essenciais para que mais potenciais doadores sejam identificados e para que o processo seja conduzido com segurança.
Paraná se destaca na autorização das famílias

A decisão familiar continua sendo uma das etapas determinantes.
Dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Paraná em 2026 mostram que o Estado registrou 30% de recusa familiar, enquanto a média brasileira era de aproximadamente 45%. Na prática, isso significa que cerca de sete em cada dez famílias paranaenses abordadas autorizam a doação, índice superior à média nacional.
Em Toledo, a Hoesp/Hospital Bom Jesus também apresenta índices expressivos. A instituição informou em 2026 que mantém, há vários anos, taxa de autorização familiar superior a 80%. Em 2024, dados divulgados sobre o trabalho da comissão hospitalar apontaram índice de conversão de aproximadamente 93% nas entrevistas realizadas com famílias de potenciais doadores.
Os números reforçam a importância do acolhimento e da informação oferecida às famílias em um momento extremamente delicado.
Quem deseja ser doador deve conversar com a família

Um ponto essencial precisa ser lembrado: no Brasil, a decisão final sobre a doação de órgãos de uma pessoa falecida é da família.
A Lei nº 9.434 estabelece que a retirada de órgãos, tecidos e partes do corpo após a morte depende da autorização do cônjuge ou de familiar maior de idade, respeitada a ordem prevista na legislação.
As antigas manifestações de vontade registradas em RG ou CNH deixaram de ter validade legal para esse fim em 2001. Atualmente, a nova Carteira de Identidade Nacional permite registrar digitalmente a disposição de ser doador, porém essa manifestação não substitui a autorização familiar exigida pela legislação.
Por isso, a principal orientação para quem deseja doar órgãos permanece simples:
Converse com sua família e deixe claro, ainda em vida, que você deseja ser um doador.


















