O excesso de chuva no Oeste do Paraná tem causado preocupação no setor produtivo, comprometendo o desenvolvimento das culturas e favorecendo a proliferação de fungos e doenças. Produtores recalcularam a rota.

O excesso de chuva registrado no Oeste do Paraná começa a transformar o cenário nas lavouras em motivo de preocupação para o setor produtivo. Além de comprometer o desenvolvimento das culturas, a sequência de precipitações cria condições favoráveis à proliferação de fungos e doenças, provoca erosão, arrasta nutrientes e pode resultar em perdas de sementes e solo. Os impactos já obrigam produtores a recalcular a rota. São os desafios climáticos impostos pelo fenômeno El Niño.
Com o solo próximo da saturação, a capacidade de absorver e reter a água pode ser superada, especialmente em áreas com drenagem deficiente. O encharcamento dificulta ou impede o trânsito de máquinas agrícolas, compromete o cronograma de dessecação e atrasa a semeadura da safra de verão. Em áreas recém-semeadas, as enxurradas podem provocar o arraste de sementes, a exposição ou o soterramento do material e a desuniformidade na emergência das plantas, elevando o risco de perdas e a necessidade de replantio.

Impactos nas lavouras
A preocupação também se estende às lavouras de inverno que ainda permanecem no campo, principalmente trigo e cevada. Em regiões como Guarapuava e Ponta Grossa, há áreas em fase final de enchimento de grãos ou no início da colheita, etapas em que a persistência da umidade pode comprometer a qualidade e dificultar as operações. A demora na entrada das máquinas aumenta a exposição das culturas às condições climáticas adversas e pode ampliar os prejuízos, dependendo da intensidade e da duração das chuvas.
Outro fator de risco é a pressão das doenças fúngicas. Períodos prolongados de umidade elevada favorecem a ocorrência e a disseminação de doenças como giberela e brusone, sobretudo quando as lavouras atravessam fases suscetíveis à infecção. O resultado pode aparecer tanto na produtividade quanto na qualidade dos grãos, com reflexos econômicos para os agricultores.
Recomendações e diagnósticos
Diante desse quadro, especialistas reforçam a importância de intensificar o monitoramento das áreas afetadas, avaliar as condições fitossanitárias das plantas e revisar as estruturas de conservação do solo, especialmente curvas de nível e sistemas de contenção do escoamento superficial. A adoção e a manutenção dessas práticas são fundamentais para reduzir a erosão e preservar a fertilidade das áreas produtivas.

















