
O Paraná registrou nesta sexta-feira (11) o terceiro tornado em três dias. O fenômeno atingiu a área rural de Goioerê (PR), por volta das 16h00, foi filmado por moradores e confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
A intensidade ainda não foi definida. Conforme o Simepar, a classificação só será possível depois do levantamento dos estragos, ainda em andamento, e seguirá a escala Fujita, que estima a força dos ventos pelo tipo e pela extensão dos danos observados.
O Instituto informou que o tornado se formou a partir de uma supercélula, tempestade organizada capaz de produzir granizo, rajadas intensas e funis de vento, durante a passagem de uma frente fria pelo estado. A frente avançou sobre o Paraná impulsionada por um ciclone extratropical formado sobre o Rio Grande do Sul.
As imagens que circularam à tarde foram feitas de pontos diferentes da região e mostram o funil sobre área de lavoura. Um dos registros é do ex-prefeito de Moreira Sales (PR), Rafael Bolacha, que gravou a formação durante um deslocamento pela região. Para a MetSul Meteorologia, trata-se de um tornado do tipo corda, em que o funil fica estreito e alongado, formato comum quando o fenômeno começa a perder força. A empresa situou a passagem entre Goioerê e Quarto Centenário (PR) e informou que, até o começo da noite, não havia relato de vítimas nem de danos.

Os dois casos anteriores
O primeiro tornado da sequência ocorreu por volta das 17h00 de quarta-feira (09), em Francisco Alves (PR), também no Noroeste. O Simepar registrou área pequena e curta duração, sem danos diretos identificados de imediato; a mesma tempestade descarregou granizo forte sobre o município.
O segundo foi registrado por volta de 00h40 de quinta-feira (10), em Espigão Alto do Iguaçu (PR), no Centro-Sul, e deixou estragos maiores: uma plantação de eucaliptos vizinha a uma unidade industrial da Coasul ficou praticamente destruída e duas escolas do distrito de Boa Vista de São Roque foram atingidas, o que obrigou a suspensão das aulas.
Por que os casos se acumulam
A MetSul associa a frequência dessas tempestades ao El Niño, que não provoca tornados diretamente, mas favorece o encontro de ar quente e úmido com massas de ar frio vindas da Argentina, condição que alimenta as supercélulas. Segundo a análise da empresa, o episódio atual do fenômeno tem intensidade excepcional e a tendência é de novas ondas de temporais no Sul do país entre a primavera e o começo do verão, com maior chance de granizo, vendavais e tornados isolados.
Os três casos se concentraram no Noroeste e no Centro-Sul do Paraná, faixas atingidas pela mesma sequência de tempo severo que tem alcançado o Oeste do estado desde o meio da semana.


















