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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Consórcio ganha espaço como ferramenta de planejamento patrimonial

Durante muito tempo, o consórcio foi associado quase exclusivamente à compra de carros, imóveis e outros bens de maior valor. Nos últimos anos, porém, essa modalidade passou a atrair um público mais amplo, que busca alternativas para organizar as finanças, realizar projetos e construir patrimônio de forma planejada.

O movimento acompanha um cenário econômico em que o crédito tradicional se tornou mais caro e o consumidor passou a pesquisar com mais atenção as diferentes formas de investir e adquirir bens. Nesse contexto, o consórcio vem conquistando espaço não apenas entre famílias que desejam realizar sonhos, mas também entre empresários, produtores rurais e investidores.

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Segundo o consultor financeiro e proprietário da Bamberg Consórcios, Anderson Bamberg, um dos principais diferenciais da modalidade está justamente na forma como os recursos são constituídos. Ao contrário do financiamento, em que o dinheiro é fornecido por uma instituição financeira mediante cobrança de juros, o consórcio funciona por meio da união de pessoas que contribuem mensalmente para um fundo comum. “O dinheiro não vem de um banco ou de uma financeira. Ele é formado pelos próprios participantes do grupo, por isso não existe cobrança de juros, apenas uma taxa de administração responsável pela gestão dos recursos”, explica.

De acordo com Bamberg, essa característica faz do consórcio uma opção interessante para quem consegue se planejar e não precisa do bem de forma imediata. A modalidade oferece previsibilidade, permitindo que o consumidor organize suas aquisições futuras com um custo geralmente menor do que o encontrado nas linhas tradicionais de crédito.
O crescimento do setor ajuda a explicar essa mudança de percepção. Nos últimos anos, o número de participantes e o volume financeiro movimentado pelo sistema cresceram de forma significativa em todo o país. Para o consultor, o avanço está ligado ao aumento da educação financeira da população e à busca por estratégias que favoreçam a construção de patrimônio no longo prazo.

Na região Sul, especialmente em municípios com forte presença do agronegócio, o consórcio também vem sendo utilizado para expansão de empresas, aquisição de áreas rurais, renovação de máquinas e fortalecimento patrimonial. Segundo Bamberg, muitos empresários utilizam a modalidade como uma forma de ampliar seus negócios sem depender exclusivamente do crédito bancário.

Outro aspecto que vem chamando a atenção é a utilização do consórcio como ferramenta de investimento. Embora sua finalidade principal seja a aquisição de bens, muitos participantes têm recorrido às cartas contempladas para operações de compra e venda de imóveis, geração de renda e estratégias de crescimento patrimonial. Segundo Bamberg, uma das modalidades que mais tem despertado interesse é a comercialização de cartas contempladas.

Nesses casos, investidores adquirem cotas com o objetivo de obter ganho de capital por meio da venda da carta para pessoas que desejam acesso imediato ao crédito, criando uma alternativa de investimento que tem atraído cada vez mais adeptos. “Hoje existe um número crescente de pessoas que enxergam o consórcio não apenas como uma forma de comprar um bem, mas como uma ferramenta financeira capaz de auxiliar na construção de patrimônio e na geração de renda ao longo do tempo”, observa.

O consultor destaca que essa estratégia tem chamado a atenção de investidores em busca de alternativas consideradas seguras e com potencial de retorno acima de aplicações tradicionais. Segundo ele, quando realizada com planejamento e conhecimento do mercado, a negociação de cartas contempladas pode representar uma oportunidade de ganho de capital no médio e longo prazo.

Apesar das oportunidades, Bamberg alerta que o consumidor deve buscar informação antes de aderir a qualquer grupo. A recomendação é verificar se a administradora é autorizada pelo Banco Central e evitar promessas de contemplação garantida ou em prazos muito curtos. “O consórcio não é uma solução milagrosa. As contemplações acontecem por sorteio ou lance, e qualquer promessa fora dessa lógica deve ser analisada com cautela. O mais importante é entender que se trata de uma estratégia de médio e longo prazo”, ressalta.

Para o consultor, a expansão do setor demonstra uma mudança no comportamento financeiro dos brasileiros, que passam a olhar o consórcio não apenas como uma forma de compra, mas como uma ferramenta de planejamento, organização financeira e construção de patrimônio ao longo do tempo.

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