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quinta-feira, 16 de julho de 2026

A China está fazendo com o foie gras o que já fez com carro elétrico

(Imagem: Gemini | Reprodução)
A China está cada vez mais dominando territórios que antes pertenciam a países do Ocidente. Dessa vez, o alvo é o foie gras — uma iguaria da alta culinária feita a partir de fígado de patos ou gansos, vinda de uma região da França chamada Périgord.
Para se ter ideia, os produtores chineses estão respondendo por 45% da oferta global, com 11 mil toneladas por ano.
Esse boom nasceu principalmente de um esforço do governo para achar indústrias sustentáveis em vilarejos que ficaram esvaziados, já que a população migrou para as metrópoles.
Por que isso importa? Porque o roteiro é conhecido. A China já usou essa mesma fórmula — escala industrial, apoio estatal e guerra de preços — para virar líder em painéis solares, baterias e carros elétricos.
A novidade é que agora ela está sendo aplicada no setor da comida de luxo, considerado protegido devido à tradição. De olho nisso, a UE já reforçou regras para impedir que produtores estrangeiros usem termos como ‘’estilo Périgord’’ — no mesmo espírito das barreiras tarifárias já aplicadas contra carros elétricos e painéis solares vindos da China.
Zoom out: O mesmo movimento se repete em outras iguarias. As exportações chinesas de trufa triplicaram desde 2022 e o caviar, historicamente dominado por Irã e Rússia, também já tem a China como principal fornecedora, com 40% das exportações globais no ano passado.
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