O ex-senador e ex-governador do Paraná, Alvaro Dias, anunciou sua desistência de disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Ele alegou falta de consenso no grupo político de Ratinho Junior.

O ex-senador e ex-governador do Paraná Alvaro Dias anunciou nesta segunda-feira (3) que não disputará uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Em nota divulgada à imprensa, ele afirmou que decidiu retirar a pré-candidatura após concluir que não há condições para a construção de uma candidatura de consenso dentro do grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior.
Nos últimos meses, Alvaro vinha sendo apontado como pré-candidato ao Senado e chegou a destacar que pesquisas de opinião o colocavam em posição de liderança na disputa. Segundo ele, esse apoio foi recebido como reconhecimento da trajetória construída ao longo da vida pública, mas não foi suficiente para viabilizar sua candidatura.
Na nota, o ex-senador afirma que a política atual é marcada por articulações e acordos partidários e que, diante da ausência de unidade, optou por não seguir na disputa.
Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora. Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.
Alvaro também afirmou que deixa a disputa sem ressentimentos e que continuará acompanhando a política paranaense e nacional, colocando sua experiência à disposição sempre que for procurado.
Críticas ao cenário político e a Sergio Moro
A decisão ocorre poucos dias depois de o ex-senador conceder entrevista ao jornal O Paraná, na qual fez críticas ao atual cenário político. Na ocasião, afirmou que o Congresso Nacional tem deixado em segundo plano sua função de debater os grandes temas do país, priorizando pautas ligadas à destinação de emendas parlamentares.
Na mesma entrevista, defendeu que o grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior buscasse uma candidatura única ao Governo do Estado, reunindo nomes como Sandro Alex e Rafael Greca em uma mesma composição para evitar a fragmentação do campo governista no primeiro turno.
Alvaro Dias também fez críticas ao senador Sergio Moro, afirmando que ele não estaria preparado para governar o Paraná. Para o ex-senador, cabe aos partidos políticos maior responsabilidade na escolha dos candidatos apresentados ao eleitorado.
Desistência
Com a desistência de Alvaro Dias, a disputa pelas vagas ao Senado no Paraná perde um dos nomes mais conhecidos da política estadual, alterando o cenário das articulações partidárias para as eleições de 2026.
Confira a nota na íntegra:
“Ao longo da minha travessia na vida pública, aprendi que as maiores vitórias não são os cargos que ocupamos, mas a confiança que conquistamos das pessoas.
Nos últimos meses, acompanhei com humildade as manifestações de apoio reveladas por pesquisas de opinião mostrando meu nome em primeiro lugar, com significativa vantagem sob os demais candidatos, e isso muito me honra.
Não interpreto esses números como um prêmio pessoal, mas sim como o reconhecimento de uma história construída com trabalho, dedicação e compromisso com a nossa gente. Confesso que esse apoio despertou em mim uma profunda reflexão. Afinal, quem dedicou uma vida toda ao serviço público nunca deixa de sentir o chamado para continuar contribuindo.
Por isso respondi ao chamado. Mas também aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos.
Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome.
E eu jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora.
Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que considero a mais correta diante das circunstâncias: não serei candidato.
Faço essa escolha com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. A política é feita de ciclos, e a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de avançar e o momento de recuar. Saio desta decisão com a consciência tranquila. Minha história foi escrita ao lado da população, nas urnas, nas ruas e nas realizações que tivemos a oportunidade de construir juntos.
Continuarei acompanhando os destinos da nossa gente, do nosso Estado e do nosso país. Continuarei oferecendo minha experiência sempre que ela puder ser útil, sempre que requisitada, opinando quando for chamado, apoiando boas ideias e defendendo aquilo em que sempre acreditei.
Quero agradecer, de coração, a cada cidadão que manifestou confiança no meu nome. Esse gesto ficará para sempre guardado na minha memória e na minha história. Na política somos passageiros. Os mandatos passam. Mas os valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus.
Por isso escolho ficar mais próximo das pessoas que me querem perto, da minha família, amigos e apoiadores de sempre.
Muito obrigado a todos. Que Deus abençoe cada família e continue iluminando os caminhos da nossa gente”.



















