
Ingressar na universidade já representa um grande desafio para muitos estudantes. Para quem convive com a deficiência visual, a caminhada exige ainda mais determinação, superação e a luta constante por acessibilidade. Na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Campus de Toledo, a trajetória do acadêmico Lucildo Teodoro “Lucildo Lua Cheia”, do curso de Educação Especial Inclusiva, mostra como o ensino superior pode transformar vidas e, ao mesmo tempo, provocar reflexões sobre a construção de uma universidade cada vez mais inclusiva.
Graduado em Ciências Sociais pela Unioeste e com pós-graduação em Educação Especial Inclusiva, Lucildo decidiu retornar à universidade motivado pelo desejo de aprofundar os seus conhecimentos na área da inclusão, especialmente sobre cegueira e baixa visão. Mais do que ampliar a sua formação, ele pretende contribuir para romper preconceitos e fortalecer práticas que valorizem o potencial das pessoas com deficiência. “Escolhi cursar a graduação em Educação Especial Inclusiva na Unioeste porque compreendo que essa área exige muito compromisso, sensibilidade e profissionalismo. Quero construir caminhos que fortaleçam os meus estudos e contribuam para desconstruir o capacitismo ainda presente na sociedade, mostrando que pessoas com deficiência têm potencial e devem ser reconhecidas pelas suas capacidades”, afirmou o estudante.
Ao longo da graduação, o acadêmico relatou que a sua experiência tem sido marcada por desafios, mas também por importantes conquistas. Segundo ele, o apoio oferecido pelo Programa de Educação Especial (PEE), por meio dos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), tem sido fundamental para garantir a sua participação nas atividades acadêmicas.
“O apoio do PEE e dos professores de AEE está fazendo toda a diferença, mas é necessário ampliar os investimentos em tecnologias assistivas e fortalecer uma cultura institucional em que todos os docentes planejem materiais acessíveis. Assim, conseguimos participar das atividades com mais autonomia”, ressaltou.
A vivência de Lucildo também tem enriquecido as discussões em sala de aula. Compartilhando experiências reais sobre os desafios enfrentados por pessoas com deficiência, ele contribui para que colegas e futuros profissionais compreendam que a inclusão vai muito além da legislação. “A inclusão não acontece apenas por meio das leis. Ela exige respeito, empatia, acessibilidade e igualdade de oportunidades. Quando as pessoas com deficiência participam das discussões e ajudam a construir soluções, formamos profissionais mais preparados e uma sociedade mais justa”, destacou.
Para a coordenadora do Programa de Educação Especial (PEE) da Unioeste, Campus de Toledo, Denise Dumke de Lima, a presença de estudantes como Lucildo fortalece o compromisso institucional com uma educação inclusiva e de qualidade. “O acompanhamento realizado pelo programa, por meio do Atendimento Educacional Especializado é fundamental para assegurar que o estudante tenha acesso às condições necessárias para a sua participação e permanência na Universidade. Esse acompanhamento envolve: apoio extraclasse, orientação quanto às adaptações pedagógicas, a produção e disponibilização de materiais acessíveis, além do suporte contínuo às demandas de eliminação de barreiras arquitetônicas e atitudinais. Dessa forma, o PEE contribui para a promoção da acessibilidade e da autonomia, favorecendo o desenvolvimento acadêmico e a efetiva inclusão dos estudantes cegos na universidade”, enfatizou.
Ao deixar uma mensagem para outras pessoas com deficiência que desejam ingressar no ensino superior, o estudante reforçou que os obstáculos não podem ser maiores que os sonhos. “Não desistam dos seus sonhos. As barreiras existem, mas elas não definem quem somos nem a nossa capacidade. O ensino superior também é um espaço que nos pertence. A sociedade precisa compreender que inclusão é responsabilidade de todos e que ambientes acessíveis, acolhedores e respeitosos beneficiam toda a comunidade”, finalizou.



















