
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), iniciará o mandato em janeiro de 2027 diante do desafio de construir uma base de apoio na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Os partidos que integraram a sua coligação eleitoral, PL, Podemos e Novo, conquistaram juntos 20 das 54 cadeiras do Legislativo Estadual nas eleições do último dia 04 de outubro. O número representa 37% da composição da Casa e fica oito parlamentares abaixo dos 28 necessários para formar maioria absoluta.
A distribuição das cadeiras mostra que o Partido Liberal (PL), legenda de Moro, elegeu 14 deputados estaduais, tornando-se, ao lado do Partido Social Democrático (PSD), do atual governador Carlos Massa Ratinho Junior, uma das duas maiores bancadas da próxima legislatura.
Além dos 14 parlamentares do PL, o Novo elegeu três deputados e o Podemos também conquistou três cadeiras. As duas siglas integraram a coligação que apoiou Moro na disputa pelo Governo do Paraná, formando um bloco partidário de 20 representantes eleitos.
Entretanto, o apoio durante a campanha eleitoral não significa, necessariamente, compromisso automático de todos os parlamentares com o futuro governo. A composição efetiva da base governista dependerá das articulações políticas, das posições individuais dos deputados e dos acordos estabelecidos entre as legendas.
Distribuição das cadeiras na Alep
A nova composição da Assembleia Legislativa terá PL e PSD como as maiores bancadas, com 14 deputados cada. O Partido dos Trabalhadores (PT) aparece na sequência, com oito representantes, seguido pelo Progressistas (PP), com seis.
Novo, Podemos e Republicanos terão três deputados cada, enquanto o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) contará com dois representantes e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) terá uma cadeira.
A distribuição das 54 vagas ficou da seguinte forma:
PartidoDeputados eleitosPL14PSD14PT8Progressistas6Novo3Podemos3Republicanos3MDB2PDT1Total54
Dos 54 deputados eleitos, 31 conquistaram a reeleição, enquanto 23 representam mudanças na composição da Assembleia. A renovação corresponde a aproximadamente 42,6% das cadeiras.
PSD terá papel importante nas articulações
Um dos principais pontos de atenção para o futuro governo será a relação com o PSD, partido do atual governador Ratinho Junior. A legenda elegeu 14 deputados estaduais e terá uma bancada numericamente equivalente à do PL.
Embora Ratinho Junior e Moro tenham iniciado contatos relacionados à transição administrativa, a colaboração entre os governos não representa, por si só, a formação de uma aliança parlamentar para a próxima legislatura.
O atual grupo governista também possui relações políticas com deputados de outras legendas, fator que poderá influenciar as negociações envolvendo a formação da base de apoio ao novo governador.
Em manifestação após as eleições, o líder do Governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), afirmou que o PSD e partidos próximos à atual administração somariam 34 parlamentares. O número, entretanto, representa uma avaliação política sobre a influência do grupo ligado a Ratinho Junior e não significa que todos esses deputados atuarão na oposição ao governo Moro.
A definição dependerá das posições que os parlamentares e suas respectivas legendas assumirem durante o processo de transição e no início da nova legislatura.
Negociações com outras legendas
Além dos partidos que integraram a sua coligação, Moro poderá buscar interlocução com deputados de outras bancadas para a construção de uma maioria legislativa.
O PP, com seis cadeiras, o Republicanos, com três, e o MDB, com duas, estão entre as legendas cuja participação nas articulações poderá influenciar a composição da futura base governista.
Entretanto, a presença desses partidos em eventuais negociações não deve ser confundida com apoio já confirmado. Até que haja manifestações públicas ou acordos políticos, o posicionamento de seus deputados precisa ser tratado como indefinido.
Em declaração realizada após as eleições, Moro afirmou que recebeu contatos de deputados estaduais de diferentes partidos interessados em conversar sobre o futuro governo. O governador eleito, porém, ainda terá de transformar essas aproximações em compromissos políticos concretos.
Governabilidade dependerá da construção de maioria
Na Assembleia Legislativa do Paraná, a maioria absoluta corresponde a 28 dos 54 deputados. Esse número é uma referência importante para a aprovação de matérias que exigem esse quórum, embora diferentes tipos de proposições possam ter exigências específicas de votação.
Considerando apenas os partidos de sua coligação, Moro parte de um campo eleitoral com 20 deputados, equivalente a aproximadamente 37% da Assembleia. Para alcançar 28 parlamentares, precisaria reunir o apoio de pelo menos outros oito representantes, desde que os 20 deputados das legendas aliadas votassem de maneira conjunta.
A formação de uma base governista será importante para a tramitação de projetos de lei, propostas orçamentárias e outras iniciativas do Executivo Estadual. Além disso, o relacionamento com a Assembleia terá influência sobre as negociações políticas e a condução da agenda administrativa do próximo governo.
Por outro lado, a existência de bancadas independentes ou de oposição não impede necessariamente a aprovação de propostas, uma vez que deputados podem adotar posicionamentos diferentes conforme o conteúdo das matérias em discussão.
Cenário ainda está em definição
A nova legislatura terá início em fevereiro de 2027, após a posse do governador eleito, prevista para janeiro. Até lá, as negociações entre os partidos e parlamentares poderão modificar o cenário inicial de apoio ao futuro governo.
Neste primeiro momento, a composição eleitoral indica que Moro contará com 20 deputados pertencentes aos partidos de sua coligação, mas ainda não permite afirmar quantos integrantes da Assembleia atuarão efetivamente como governistas, independentes ou oposicionistas.
A relação com o PSD, a posição das legendas que integram o atual grupo governista e as negociações com deputados de outros partidos serão elementos centrais para compreender a formação da base parlamentar e o cenário de governabilidade do Paraná a partir de 2027.


















