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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Quando a dificuldade não é o único sinal

2º Seminário de Neurodivergência propõe deslocar o olhar do que falta para o que o estudante revela e coloca a pergunta que antecede qualquer diagnóstico

No cotidiano da escola, alguns estudantes chamam a atenção pelo que não conseguem fazer. Outros, pelo comportamento, pelos interesses, pela forma de interagir ou pelo jeito particular de aprender. Há ainda aqueles que passam despercebidos, justamente porque aquilo que os distingue não corresponde ao que a escola foi ensinada a procurar. É esse deslocamento de olhar, da falta para a potencialidade, que sustenta o 2º Seminário de Neurodivergência, marcado para 5 de novembro, na Univel, em Cascavel, com inscrição gratuita.

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Com o tema “Inclusão para além das dificuldades”, o encontro nasce de uma constatação prática: nem sempre comportamentos semelhantes têm a mesma origem ou o mesmo significado. Características observadas em estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) podem se aproximar na aparência e se distanciar radicalmente no que exigem como resposta pedagógica. O risco da leitura apressada é conhecido por quem atua em sala de aula e, segundo a proposta do seminário, só se enfrenta com observação criteriosa do desenvolvimento, do contexto e da trajetória de cada estudante.

O recorte ganha peso porque as AH/SD podem coexistir com outras condições, quadro que a literatura e os marcos legais recentes nomeiam como dupla excepcionalidade. Nesses casos, o desempenho elevado em uma área convive com dificuldades significativas em outra — e o talento, muitas vezes, funciona como camuflagem: o estudante compensa, disfarça, parece “não precisar de apoio” e, por isso, deixa de ser visto.

Aprendizagem como estudo de caso

Marseli Nunes de Castro Johnsson

A formação foi desenhada como um encontro teórico-prático construído no diálogo entre Educação e Psicologia e essa interface está explícita na condução do seminário. A pedagoga e neuropsicopedagoga Marseli Nunes de Castro Johnsson, especialista em Educação Inclusiva e Altas Habilidades/Superdotação, e a psicóloga e neuropsicóloga Katia A. Kita Furlan, especialista em Transtorno do Espectro Autista e Altas Habilidades/Superdotação, conduzem a programação das 14h às 17h.

Em vez de uma sequência expositiva sobre diagnósticos, a proposta parte de situações do cotidiano escolar e de um estudo de caso analisado progressivamente pelos participantes. “O percurso permite acompanhar como uma interpretação inicial se forma e como ela pode se revelar precipitada à medida que novos elementos entram em cena. Entre os pontos em discussão estão as nuances entre características que se confundem em condições distintas, os indicadores de AH/SD no contexto escolar e o reconhecimento de potencialidades que raramente se apresentam de forma evidente” destaca a neuropsicopedagoga.

O enquadramento é o da educação inclusiva em sentido amplo: diferentes formas de participação, aprendizagem e desenvolvimento, e as respostas educacionais que a diversidade presente na escola exige. Os princípios da inclusão serão articulados aos marcos legais que orientam a atuação escolar, com destaque para as contribuições da Lei nº 15.436/2026, sancionada em junho passado, que instituiu a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, criou um cadastro nacional para acompanhamento desse público e definiu legalmente a dupla excepcionalidade. A norma, que entrou em vigor em 18 de junho com vetos presidenciais, tem entre seus objetivos a identificação precoce, o desenvolvimento integral e a inclusão plena desses estudantes na educação básica e superior.

Na prática, o dispositivo legal desloca uma responsabilidade: não se trata apenas de acolher quem chega com laudo, mas de construir condições para que o estudante seja identificado. E a identificação começa antes de qualquer encaminhamento, na capacidade do educador de estranhar o que parece natural e de sustentar dúvidas em vez de respostas imediatas.

É essa a virada que o seminário propõe. Mais do que perguntar “qual é o diagnóstico?”, o encontro sugere uma questão anterior, e mais difícil: o que precisamos observar para compreender quem é o estudante que está diante de nós?

Kátia Furlan

A neuropsicóloga Kátia Furlan destaca a importância da interface entre saúde e educação apresenta como acontece a construção do perfil do sujeito. “A contribuição e o papel do olhar sob a perspectiva clínica, quais aspectos devem ser observados, como ocorre a escuta clínica, o papel do educador como fonte de informação e o que fazer com os resultados apresentados num laudo de avaliação Neuropsicológica.

Ela completa: “Para além da observação analítica externa, a psicologia deve acolher expectativas, mediar informações, integrar constructos, respeitando e priorizando o sujeito como um todo, não somente a partir de um recorte de comportamentos que não se encaixam num padrão esperado ou desejável”.

O evento é uma promoção da Itaipu Nacional e o Núcleo de Cooperação Socioambiental do Oeste do Paraná.

Serviço

2º Seminário  de Neurodivergência: “Inclusão  para  além das dificuldades: potencialidades, diferenças e necessidades, novos olhares para quem aprende”

Data: 5 de novembro de 2026 (quinta-feira), das 14h às 17h Local: Univel — Av. Tito Muffato, 2317, Cascavel (PR)

Inscrição: gratuita no link https://survey123.arcgis.com/share/3867e71120ee43459f01fd9b972251b2

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