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terça-feira, 21 de abril de 2026

Tancredo Neves! 41 anos da morte do presidente que não tomou posse

Articulador da redemocratização, político mineiro morreu aos 75 anos após semanas de internação e se tornou sí

O Brasil relembra nesta terça-feira (21) os 41 anos da morte de Tancredo Neves, um dos principais nomes da redemocratização do país. Ele morreu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos, após 39 dias de internação e uma sequência de cirurgias, sem chegar a tomar posse como presidente da República.

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Eleito de forma indireta pelo colégio eleitoral em 15 de janeiro de 1985, Tancredo seria o primeiro civil a governar o Brasil após 21 anos de ditadura militar (1964-1985). A vitória representou o resultado de uma ampla articulação política que reuniu diferentes forças em torno da retomada da democracia.

Na véspera da posse, marcada para 15 de março, o presidente eleito foi internado em Brasília com fortes dores abdominais. Inicialmente diagnosticado com apendicite, o quadro se revelou mais grave. Após cirurgias na capital federal, ele foi transferido para São Paulo, onde passou por novos procedimentos, mas não resistiu às complicações.

A morte de Tancredo gerou comoção nacional. Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre em cidades como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e São João del-Rei (MG), terra natal do político. Imagens de multidões emocionadas marcaram um dos momentos mais simbólicos da história recente do país.

Com a impossibilidade de posse, o vice-presidente eleito, José Sarney, assumiu inicialmente de forma interina e, após a morte, foi efetivado no cargo. Coube a ele dar continuidade ao processo iniciado por Tancredo, incluindo a convocação da Assembleia Constituinte que resultou na Constituição de 1988.

Trajetória política

Nascido em 4 de março de 1910, em São João del-Rei, Minas Gerais, Tancredo construiu uma longa carreira pública. Formado em Direito, iniciou a vida política como vereador e, ao longo das décadas seguintes, ocupou cargos como deputado estadual, deputado federal, senador e governador de Minas Gerais.

Durante o governo de Getúlio Vargas, foi ministro da Justiça e presenciou de perto um dos episódios mais marcantes da política brasileira: o suicídio do presidente, em 1954. Mais tarde, também teve papel relevante na crise que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros, ajudando a viabilizar a posse de João Goulart por meio da adoção do parlamentarismo. Nesse período, ocupou o cargo de primeiro-ministro.

Com o golpe militar de 1964, Tancredo passou a atuar na oposição dentro das regras do regime, filiando-se ao MDB. Conhecido pelo perfil conciliador, manteve diálogo com diferentes setores, evitando radicalismos e defendendo a negociação política como caminho para a mudança.

Diretas Já e eleição histórica

Nos anos 1980, Tancredo apoiou o movimento Diretas Já, que mobilizou milhões de brasileiros pela volta das eleições diretas para presidente. Apesar da emenda não ter sido aprovada no Congresso, o movimento fortaleceu a oposição e abriu caminho para a vitória no colégio eleitoral.

Com o slogan "Muda Brasil", Tancredo venceu a disputa contra Paulo Maluf e foi eleito presidente com ampla vantagem. Ao lado de Ulysses Guimarães e tendo José Sarney como vice, representava a expectativa de mudanças políticas, econômicas e sociais no país.

Em seu discurso após a vitória, destacou a importância da conciliação e da democracia: afirmou que aquela seria a última eleição indireta do Brasil e defendeu a construção de uma nova Constituição.

Legado

Mesmo sem assumir o cargo, Tancredo Neves é lembrado como figura decisiva na transição do regime militar para a democracia. Sua habilidade de articulação e capacidade de diálogo foram fundamentais para garantir uma mudança política sem ruptura institucional.

Mais de quatro décadas depois, o legado permanece associado à construção de consensos em momentos de crise. Para analistas, a trajetória de Tancredo reforça a importância da negociação política e do equilíbrio como pilares da democracia brasileira.

Catve

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