Às vésperas da inauguração do Embaixada do Sabor, a arte começa a contar os 12 anos da Embaixada Solidária através de uma coleção exclusiva de pratos criada, executada e doada pelas artistas Edy Braun e Ana Maria Papini para compor uma das paredes do restaurante.

A proposta das artistas foi transformar em imagens aquilo que a Embaixada Solidária viveu desde os primeiros dias de existência: os encontros entre povos, as travessias migratórias, os recomeços, o acolhimento e a relação profunda entre alimento, dignidade e pertencimento. Mais do que peças decorativas, os pratos funcionam como capítulos de uma narrativa construída a partir de vidas reais, carregando símbolos que ajudam a traduzir a evolução da própria instituição.
A história da instituição começou justamente na partilha de alimento em volta de uma pequena mesa e, mais de uma década depois, continua reunindo em torno dela pautas urgentes, culturas, histórias e pessoas que hoje representam o mundo inteiro. A lógica da coleção acompanha essa transformação ao longo dos anos. O primeiro prato retrata uma mesa simples, representando os primeiros gestos de acolhimento realizados ainda de maneira improvisada, quando a instituição iniciou suas ações humanitárias em Toledo. A partir dali, os pratos evoluem gradualmente, revelando encontros entre culturas, diferentes etnias, travessias marcadas por dor e esperança, até chegar ao atual momento da instituição, que prepara a inauguração de um restaurante multicultural onde migrantes e refugiados deixam de ocupar apenas o lugar de acolhidos para também se tornarem protagonistas através de suas receitas, tradições e memórias afetivas.

Entre as peças mais simbólicas da coleção está justamente a primeira, que traz a imagem de uma mãe amamentando seu filho. A escolha da cena carrega uma memória importante da própria história da Embaixada Solidária. Antes mesmo de ampliar sua atuação para áreas como empregabilidade, governança migratória e formação profissional, o primeiro contato da instituição com a segurança alimentar aconteceu através do fortalecimento do aleitamento materno e do acompanhamento nutricional de mães migrantes e refugiadas que chegavam ao Brasil em situação de vulnerabilidade.
Naquele momento, garantir alimento significava, muitas vezes, garantir que mães tivessem condições físicas, emocionais e nutricionais para continuar amamentando seus filhos em meio às dificuldades do deslocamento, da pobreza extrema e da ausência de rede de apoio. Por isso, a coleção parte justamente do leite materno como símbolo do primeiro alimento, do primeiro vínculo e da primeira experiência concreta de segurança alimentar vivenciada pela instituição.
Ao longo dos pratos, a narrativa passa a incorporar também elementos sutis das diferentes culturas acolhidas pela Embaixada Solidária, incluindo traços étnicos, vestimentas típicas e referências simbólicas aos povos atendidos pela instituição, que ao longo desses 12 anos alcançou migrantes e refugiados de mais de 47 países e de todos os estados brasileiros. Em meio às imagens, também aparecem referências delicadas ao Oeste do Paraná, território onde a instituição criou raízes e consolidou sua atuação humanitária.


A construção do Restaurante Embaixada do Sabor também carrega a marca de uma grande rede de incentivos, parcerias e confiança institucional construída ao longo dos anos. A Prefeitura de Toledo foi responsável pela cessão do terreno onde atualmente está localizada a sede da entidade. A Embaixada Solidária também venceu o Edital Semeia, da Fundação Cargill, além de ter sido contemplada com o auxílio emergencial da Itaipu Binacional, iniciativas que fortaleceram diretamente as ações de segurança alimentar desenvolvidas pela instituição.
No último ano, uma importante parceria com o Instituto MBRF possibilitou a implantação do Programa Segurança Alimentar 360º – Desafio Perda Zero, iniciativa que passou a atuar diretamente na recuperação, redistribuição e encaminhamento de alimentos para migrantes, refugiados e famílias em situação de fragilidade social. Com o apoio de parceiros, o programa já possibilitou o encaminhamento de mais de 22 toneladas de alimentos, ampliando significativamente o alcance humanitário da instituição.
A construção visual das peças acompanha também o amadurecimento da própria Embaixada Solidária. Se no início o alimento surgia como resposta urgente à fome e à vulnerabilidade, hoje ele também aparece como identidade cultural, geração de renda, memória afetiva e ponte entre povos. É justamente desse conceito que nasce o Restaurante Embaixada do Sabor, espaço que atualmente vive os últimos preparativos antes da inauguração oficial.

O restaurante nasce com a proposta de apresentar ao público sabores, receitas e tradições culinárias trazidas por migrantes e refugiados de diferentes partes do mundo, transformando a gastronomia em ferramenta de integração cultural e desenvolvimento humano. A ideia é que o espaço não funcione apenas como restaurante, mas como uma experiência capaz de aproximar culturas através da comida e da convivência.
A doação da coleção pelas artistas reforça ainda mais o caráter afetivo, coletivo e simbólico da obra. As peças passam a integrar permanentemente a memória da Embaixada Solidária, transformando a parede do restaurante em um percurso visual sobre acolhimento, pertencimento e humanidade, mas também sobre a força das parcerias que ajudaram a construir cada etapa dessa trajetória. A obra nasce cercada por mãos que acreditaram no projeto, desde instituições públicas e privadas até pessoas que decidiram transformar sensibilidade em gesto concreto.

Entre elas estão as artistas Edy Braun e Ana Maria Papini, responsáveis pela criação, execução e doação das peças. Reconhecida como uma das artistas mais multifacetadas da região, Edy Braun carrega em sua trajetória uma relação profunda com a transformação da matéria em arte. Sua linguagem artística dialoga com a natureza, com as texturas da vida cotidiana e com elementos que muitas vezes passariam despercebidos aos olhos comuns, mas que, em suas mãos, ganham significado, delicadeza e permanência.
Ao lado dela, Ana Maria Papini domina os pincéis com uma impressionante delicadeza visual, quase como uma mágica silenciosa que vai transformando o branco nas cores do mundo. Em suas composições, os tons parecem nascer de forma orgânica, conduzindo o olhar entre culturas, afetos e memórias. Juntas, as artistas transformam pratos de porcelana em narrativa viva, conectando arte, acolhimento e humanidade em uma coleção que passa a integrar a própria identidade do Restaurante Embaixada do Sabor.
Ao final da sequência, os pratos deixam uma mensagem silenciosa, mas profundamente poderosa: aquilo que começou com uma pequena mesa de acolhimento hoje se transforma em um espaço onde o mundo também passa a ser alimentado através das mãos, das histórias e das culturas daqueles que um dia chegaram precisando recomeçar.
















